Saiba qual a diferença entre infusão e decocção
Chris Bueno
Os apreciadores de chás têm razão quando dizem que o modo de preparo do chá é fundamental. Isso é o que vai determinar não apenas o sabor, mas também os efeitos medicinais do chá. Certas plantas perdem seu valor terapêutico dependendo do modo como são tratadas para serem vendidas.
“É importante destacar que os efeitos benéficos ou indesejáveis dos chás dependem da adequada indicação, modo de preparo, dose, uso da planta correta (é muito comum o uso de plantas que não foram corretamente identificadas) e até mesmo a forma como a planta foi cultivada e colhida”, aponta André Gonzaga dos Santos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Para aproveitar bem os benefícios de qualquer planta medicinal, a primeira regra é ter certeza do que se está adquirindo. Muitas plantas medicinais são parecidas (aspecto das folhas, por exemplo) com plantas que não possuem nenhum efeito. Além disso, o manuseio da planta até o ponto de venda deve ser bem controlado e feito dentro de critérios de qualidade, uma vez que as etapas de secagem e moagem da planta, por envolverem aquecimento, podem reduzir ou até mesmo eliminar o efeito benéfico esperado.
Quanto ao preparo, é importante esclarecer que há dois modos básicos: a infusão e a decocção. Na infusão, a água é aquecida até ponto de fervura (quando começam a se formar bolhas no fundo da chaleira), então a água quente é vertida sobre a planta e a mistura fica em repouso por alguns minutos, de preferência tampada. Esta técnica é geralmente aplicada para preparação de chás de folhas, flores e frutos moídos e preserva o óleo essencial.
Já na decocção, as partes da planta são fervidas junto com a água por alguns minutos. Esta técnica é aplicada geralmente para o preparo de chás das cascas, raízes ou pedaços de caule, que por serem mais duros precisam de um método mais rigoroso para a extração para a água dos compostos benéficos presentes na planta. Para se obter o efeito esperado, é preciso seguir qual o modo indicado de preparo do chá escolhido.
Existem também extratos de plantas produzidos por laboratórios que comercializam produtos fitoterápicos. Esses extratos podem ser encontrados em duas formas: o extrato seco ou as tinturas (quando na forma líquida com um teor mínimo de extrato dissolvido em uma mistura de água e etanol). “Tanto as tinturas como os extratos secos são mais concentrados em princípios ativos do que o chá, uma vez que a planta é extraída em sistemas fechados que permitem a retirada total dos seus compostos, o que não ocorre no preparo caseiro do chá”, explica Ruiz.
Chás medicinais podem interagir com remédios e até provocar abortos
Chris Bueno
Especial para o UOL Ciência e Saúde
A sabedoria popular ensina que existe um chazinho para quase tudo. Apesar de serem usados há milênios, é preciso alguns cuidados na hora de consumi-los. Muitos deles têm efeitos colaterais e podem interagir com certos medicamentos, além de serem contraindicados para gestantes.
No Brasil, o chá é regulamentado como alimento, e não como medicamento, portanto o produto não passa por testes clínicos. Para orientar a população, porém, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou em março deste ano uma regulamentação para o uso de algumas plantas medicinais. Os chás que tiveram suas propriedades terapêuticas reconhecidas pela Anvisa são bem conhecidos dos brasileiros, como o de carqueja e de alcachofra, usados para aliviar distúrbios digestivos.
A agência alerta que, para os produtos terem o efeito desejado, é preciso seguir as instruções de preparo que devem estar impressas na embalagem. As contra-indicações também devem estar impressas nas embalagens - o chá de carqueja, por exemplo, não deve ser consumido por gestantes, pois pode promover contrações uterinas e até aborto. (Veja álbum com propriedades e efeitos colaterais de alguns chás). O problema é que muitas vezes essas plantas são adquiridas a granel, ou mesmo em hortas caseiras.
É preciso ressaltar que o consumo moderado de chás não causa nenhum risco para a saúde - esses efeitos adversos só aparecem quando o chá é ingerido em excesso. “A diferença entre o medicamento e o veneno é a dose", alerta Ana Lúcia Tasca Gois Ruiz, pesquisadora da Divisão de Farmacologia e Toxicologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Basta lembrar que um potente veneno, a estricnina, é utilizado como remédio homeopático.
Outro problema é que muitos chás são propagandeados com propriedades terapêuticas que não possuem. É preciso ter muito cuidado com situações como “a-avó-da-vizinha-da-tia” recomenda, e com chás vendidos como “milagrosos”. Antes é preciso investigar se o chá recomendado é o ideal para o que se precisa, e se sua propriedade terapêutica é comprovada.
Universidades como a Federal do Mato Grosso (UFMT) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) são conhecidas por seus estudos sobre plantas medicinais, e já comprovaram as propriedades terapêuticas de vários chás, podendo ser uma boa fonte de consulta.
Mas vale a pena procurar orientação profissional. “Quando se utiliza o chá com finalidades terapêuticas, o ideal é procurar a orientação de um profissional de saúde - farmacêutico, médico, nutricionista. Ele vai orientar quanto ao chá indicado, o modo de preparo e a quantidade diária recomendada com segurança”, aponta André Gonzaga dos Santos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Contraindicações
Pessoas com doenças crônicas, como diabéticos e hipertensos, além de gestantes, idosos e crianças devem prestar atenção às contraindicações dos chás medicinais. Alguns compostos presentes nas plantas medicinais podem alterar o metabolismo de certos remédios e isso pode reduzir ou aumentar a eficácia dos mesmos. Um exemplo é a popular erva-de-são-joão, usada como antidepressivo, que pode prejudicar a ação de retrovirais, antibióticos e até de contraceptivos orais.
“Os chás possuem atividades terapêuticas porque possuem substâncias químicas que foram extraídas da planta no seu preparo. Tais substâncias agem de modo semelhante aos princípios ativos dos medicamentos comercializados nas farmácias e, portanto, podem também provocar reações adversas”, explica Santos. Essas pessoas não estão proibidas de tomar chá, mas precisam conversar com um médico antes de consumir.
Outro risco é acreditar que os chás podem operar milagres. Muita gente abandona o tratamento médico para se tratar somente com determinadas ervas, o que é perigoso. “Um chá jamais pode substituir um medicamento alopático prescrito por um médico”, reforça Ernani Pinto, professor do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da USP (Universidade de São Paulo).
“Não devemos esquecer também que algumas pessoas podem ser alérgicas a um determinado chá, o que é perfeitamente normal", previne o pesquisador. Ele também faz uma advertência sobre o risco de se levar gato por lebre - "É comum as pessoas comprarem ou fazerem o uso de plantas que não são as medicinais, e aí sim pode haver um grave problema”, completa.
Mulheres grávidas também precisam ficar atentas, já que alguns chás, em excesso, podem ser abortivos. “Há várias plantas que apresentam ação sobre a musculatura uterina, tais como a canela e a carqueja, o que pode expor o bebê a um sofrimento intra-uterino”, explica Ruiz. Por isso, é bom consultar sempre o obstetra.
As mulheres que estão amamentando não devem se esquecer que praticamente tudo o que é ingerido passa para o leite e pode causar problemas para o bebê, e atentar especialmente para os chás que possuem cafeína. Já para idosos e crianças a preocupação maior deve ser com a dose, e também se há a combinação de chá com algum outro medicamento.
Útil contra enjoo, náusea e vômito causados pela gravidez ou por cirurgias. E para o sistema digestivo em geral. Em casos de cálculos biliares, deve ser utilizado com acompanhamento de um profissional de saúde. O uso deve ser evitado por pacientes que estejam consumindo anticoagulantes, que tenham irritação gástrica e hipertensão, especialmente em doses altas (Fonte: Anvisa).
.jpg)










